O dinheiro que sobra depois dos materiais não é automaticamente o pagamento pelo seu trabalho. Mão de obra é custo; lucro é o retorno do negócio depois que esse custo foi pago.
Defina o valor da sua hora
Comece pela renda mensal que deseja receber pelo trabalho e pelas horas produtivas que realmente consegue vender. Nem toda hora do mês vira produção: compras, atendimento e organização também ocupam tempo.
Por exemplo, R$ 2.400 de remuneração desejada divididos por 100 horas produtivas resultam em R$ 24 por hora. É um ponto de partida para planejar, não uma promessa de renda. Se você só consegue vender 60 horas, a mesma remuneração exigiria R$ 40 por hora. Compare essa necessidade com a demanda e a capacidade real do negócio.
Meça o tempo completo
Conte preparo, produção, acabamento e embalagem. Em encomendas personalizadas, inclua o tempo de conversa, planejamento e alterações. Use uma média realista de várias produções.
Transforme minutos em custo
Se sua hora vale R$ 24 e o produto consome 45 minutos, divida 45 por 60 e multiplique pelo valor da hora. A mão de obra desse produto será R$ 18.
Quando a receita rende várias unidades
Calcule o tempo do lote inteiro e divida pelo rendimento. Se 90 minutos produzem 30 doces, distribua o custo de 90 minutos entre as 30 unidades.
Na calculadora, informe 3 minutos por doce e R$ 24 por hora. Não informe os 90 minutos do lote como se fossem de cada doce. Se a unidade de venda for o lote inteiro, aí sim use 90 minutos e também todos os materiais desse lote.
Do tempo ao preço final
Imagine uma peça com R$ 12 de materiais, R$ 2 de embalagem, R$ 18 de trabalho e R$ 3 de gastos fixos rateados. O custo total é R$ 35. Com lucro de 40% sobre o custo, o preço-base fica R$ 49. Se houver uma taxa de venda de 2%, o preço final será R$ 49 ÷ 0,98 = R$ 50.
- Venda: R$ 50.
- Taxa: R$ 1.
- Custos, incluindo seu trabalho: R$ 35.
- Sobra além do trabalho: R$ 14.
Nesse cenário, os R$ 18 remuneram o trabalho e os R$ 14 são a sobra do negócio. A margem sobre a venda é R$ 14 ÷ R$ 50 = 28%, diferente dos 40% acrescentados sobre o custo. Outros gastos não informados reduzem essa sobra.
Compras, atendimento e espera também precisam de um critério
Registre o tempo ligado a cada encomenda. Atividades gerais, como organizar o estoque, podem ser consideradas na disponibilidade de horas produtivas ou distribuídas entre os pedidos. Escolha um critério e evite remunerar as mesmas horas duas vezes. Se uma máquina trabalha sozinha enquanto você atende outro cliente, não confunda automaticamente tempo de máquina com tempo exclusivo de trabalho.
Mão de obra não é margem de lucro
- Mão de obra remunera o tempo trabalhado.
- Lucro remunera o risco, investimento e crescimento do negócio.
- Os dois precisam aparecer na precificação.
Atualize quando seu processo mudar
Equipamentos, experiência e volume podem reduzir o tempo por unidade. Produtos mais personalizados podem aumentar. Revise a média para manter o preço coerente.
Cronometre algumas produções normais, anote quantidade e retrabalho, e revise a média quando trocar equipamentos, contratar ajuda ou mudar o acabamento. Para trabalho contratado, use o custo efetivo aplicável ao negócio, não apenas a meta de remuneração do proprietário.
Referência para aprofundar
Consulte o material do Sebrae sobre custos e preço de venda. Os cálculos desta página são exemplos didáticos da equipe Lucro Caseiro; substitua valores, tempos e quantidades pela sua realidade.
Para continuar aprendendo
Teste com um produto real
Use a calculadora gratuita e veja o custo, o preço e quanto pode sobrar.